Quando a música acaba,
as cadeiras ficam vazias, as cartas são expostas na mesa e o que parecia ser
certo é errado...quando o amigo é só mais um amigo e o Eros não ultrapassa o
limiar da amizade, quando os planos mudam de direção drasticamente...
Não sei pelo que seus
olhos choram talvez arrependimento ou gotas de paixão perdida; tudo volta
exatamente ao mesmo lugar, música tocando, salão cheio de sorrisos, o que era
antes torna a se igual, e eu com mera expectadora dou as costas e vou embora,
não manchando o brilho desse momento saindo de cabeça erguida como uma rainha,
ilesa de todos os olhares do salão.
Chamas-me para uma
última valsa, minha respiração para e pelo um breve instante imagino que seu
amor é somente meu; acordo do transe, a música não me fascina, seu sorriso não
me inebria e o vulcão da paixão agora adormecido, faz parecer que jamais
houvera acordado.
Ouço meus passos a
caminho da porta, ouso olhar para trás, uma despedida talvez, um adeus, então
te vejo sozinho, rendido, impotente, um frágil menino buscando forças para
juntar os pedaços e crescer.
Um dia tivera tantas,
hoje ninguém, o que farás para enganar a solidão a espreita de seu quarto
escuro?
A vida que lhe foi tão
generosa, proporcionando tanto amor, hoje cobra seus frutos, e suas mãos vazias
encontram um rosto amargurado por não saber respostas, o espelho poderá revelar
seu primeiro caráter, a identidade perdida por trás de tantas máscaras, seu
verdadeiro eu.
Não se choque por não se
conhecer, você já era visto dessa forma por muitos, sugiro-lhe que mudes, pois
ainda há tempo de resgatar o que há de bom; levante a cabeça e busque um novo
caminho, quem sabe encontrarás rendição para sua alma.

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